SANTA CRUZ
65 ANOS
NOSSA HISTÓRIA...
CAPÍTULO I
Capela da Igreja Luterana do Brasil, na Avenida Espírito Santo, na qual aconteciam os cultos aos domingos e as aulas da Escola Santa Cruz durante a semana. Anos 1960.
Lá pelos idos anos de 1957, quando Capanema ainda era mais verde do que estrada e mais silêncio do que barulho, começaram a chegar os primeiros colonizadores. Gente simples, carregando nos braços seus pertences e, no coração, a vontade de construir uma vida nova.
Entre eles, chegou também um homem que mudaria essa história de forma silenciosa, mas profunda: Carlos Edvino Reschke, ex-seminarista. Ao olhar ao redor, Carlos não viu apenas famílias — viu crianças. E, onde havia crianças, ele enxergou algo ainda mais importante: a necessidade de uma escola.
Sem esperar muito, reuniu os moradores e lançou uma ideia que era, ao mesmo tempo, prática e cheia de propósito: construir um espaço que fosse igreja e escola. Um lugar para a fé e para o aprendizado.
A prefeitura então doou o terreno, e os preparativos começaram. Mas, antes mesmo de paredes se erguerem por completo, o ensino já acontecia. Debaixo de uma árvore, na própria igreja ou dentro de um lugar ainda em construção — a estrutura faltava, mas sobrava vontade. E ali estava ele, o próprio Carlos Edvino, como professor.
Em 1959, surgiram as primeiras duas salas de aula. Simples, mas cheias de significado. Ainda sem registros oficiais, sem apoio, mas firmes na missão de ensinar.
Até que, no ano de 1961, veio o reconhecimento tão esperado: o registro junto à Secretaria de Estado da Educação. A partir dali, aquele sonho ganhava nome e identidade.
Nascia, oficialmente, a Escola Santa Cruz.
E como se a história quisesse marcar bem aquele momento, no mesmo ano a congregação recebeu seu primeiro pastor, o Reverendo Armindo Grams.
Um novo capítulo começava — com fé, com educação e, acima de tudo, com a certeza de que grandes histórias também nascem em lugares simples.
Capela da Igreja Luterana do Brasil, na Avenida Espírito Santo, na qual aconteciam os cultos aos domingos e as aulas da Escola Santa Cruz durante a semana. Anos 1960.
CAPÍTULO II
Com a partida de quem havia dado os primeiros passos, a história não parou — ela apenas mudou de mãos.
Quando o senhor Carlos Edvino seguiu com sua família para Realeza, a pequena escola precisou, mais uma vez, se reinventar. Foi então que o pastor Armindo, ao lado de dona Eunice, assumiu a responsabilidade de continuar aquele trabalho que já não era apenas um projeto, mas parte da vida da comunidade.
Eles seguiram firmes até 1965. E, como já parecia ser tradição nessa história, quando um ciclo se encerrava, outro logo começava.
Em 1966, chegaram o pastor Ernesto Pahl e sua esposa, Renilda. Os dois trouxeram consigo não apenas suas malas, mas também disposição para continuar construindo algo maior. E bastou pouco tempo para perceberem o óbvio: a escola estava crescendo — e rápido.
As salas já não comportavam todos. A vontade de aprender era maior do que o espaço disponível.
Era preciso ampliar. Era preciso ousar.
Logo começaram os repasses financeiros vindos da Alemanha para a construção de uma nova escola, a partir de uma parceria entre a Igreja Evangélica Luterana do Brasil - IELB - e a IECLB - Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.
Nesse mesmo movimento de crescimento, surgia também a associação que ajudaria a sustentar esse sonho: o Instituto Vocacional e Assistencial Santa Cruz — o IVASC.
E então, simultaneamente, mais um marco. Em dezembro de 1970, por meio de Decreto Estadual, a escola conquistava a autorização para oferecer o ensino ginasial. Agora, já não era apenas o começo — era expansão. Era continuidade.
O Santa Cruz passava a ter sua própria bandeira. Seu uniforme. Sua identidade.
Mas, como toda boa história, o crescimento veio acompanhado de desafios. Com a autorização para o ensino ginasial (5ª a 8ª série), ainda faltava espaço. E, mais uma vez, foi preciso improvisar.
As aulas do ginásio começaram em um casarão cedido no bairro São Cristóvão.
Depois, seguiram para outro espaço, onde hoje está a Escola Janete Katzwinkel. Lugares simples, provisórios — mas cheios da mesma essência que havia marcado o início: fazer acontecer, apesar de tudo.
Porque, no fundo, o que sustentava aquela escola nunca foram apenas paredes.
Era a vontade coletiva de construir algo grande.
CAPÍTULO III
1974 - Formatura no Cineazza - Aparece, ao fundo, o Pastor Ernesto Pahl e ao seu lado Egon Grams. Sentados, à direita, estão a professora Elizabeth Wallau e o professor Lerci Roman. Em pé, está a professora Benildes Gava. A formanda é Liane Fuhr.
No final do ano de 1974, já era possível perceber que algo começava a mudar. Depois de mais de uma década marcada pelo improviso, a escola deixava para trás os tempos em que as aulas aconteciam em espaços cedidos ou provisórios.
Aos poucos, o projeto de um novo prédio deixava de ser apenas uma ideia distante e ganhava forma. Havia um sentimento coletivo de expectativa, como se todos soubessem que aquele momento representava uma virada importante na história da instituição.
Mais do que uma simples mudança de endereço, aquele foi um marco: o momento em que a escola deixou de ser itinerante para, enfim, fincar suas raízes.
À frente de tudo isso, o pastor Ernesto Pahl tornava-se, também, o primeiro diretor.
E não por pouco tempo.
Foram mais de vinte anos conduzindo a escola com olhar atento e compromisso constante. Mais do que administrar, ele esteve presente em cada etapa decisiva dessa história.
Acompanhou de perto o processo de construção da nova sede, vendo, tijolo por tijolo, o sonho ganhar forma. Foi um dos responsáveis por administrar os recursos. Participou da inauguração, momento em que aquilo que antes era improviso e esforço coletivo finalmente se transformava em um espaço próprio, pensado para educar.
E ali Ernesto Pahl permaneceu. Não apenas como diretor, mas como alguém que ajudou a consolidar os primeiros anos do Santa Cruz. Anos de crescimento, de desafios, de conquistas — e, principalmente, de formação de gerações.
Sob sua direção, o Santa Cruz não apenas cresceu em estrutura, mas também em propósito.
O ano de 1975 marcou, de forma concreta, o início dessa nova fase. Foi o primeiro ano em que o curso ginasial passou a funcionar integralmente no prédio recém-inaugurado, no bairro Santa Cruz. A mudança não representava apenas um novo espaço físico, mas uma nova organização do ensino, mais estruturada e alinhada às necessidades da época.
Além das disciplinas tradicionais, a formação dos alunos também incluía atividades práticas. Os meninos participavam de aulas de agricultura e marcenaria, enquanto as meninas tinham aulas de costura e culinária — práticas que refletiam os valores e a organização social daquele período, preparando-os para diferentes aspectos da vida cotidiana.
Enquanto isso, o ensino primário ainda permanecia no antigo prédio da Avenida Espírito Santo, no terreno da Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Assim, por um tempo, a história da instituição seguiu dividida entre dois espaços: de um lado, o novo prédio que simbolizava avanço e permanência; de outro, o local que guardava as memórias dos anos de início e de construção coletiva.
Era uma fase de transição, mas também de consolidação. Aos poucos, a escola deixava de ser marcada pelo improviso para assumir, de forma cada vez mais clara, sua identidade — construída com trabalho, dedicação e o compromisso de educar gerações, lançando as bases de um legado que atravessaria o tempo.
CAPÍTULO IV
Foi no início dos anos 80 que a escola, já mais estruturada e com suas raízes firmadas, passou a viver também momentos que iam além da sala de aula. Em 1982, surgia uma iniciativa que, com o tempo, se tornaria uma das mais marcantes tradições da sua história: a Festa do Quentão.
Realizada sempre no mês de junho, nas dependências da própria escola, a festa nascia do esforço coletivo. Direção, professores, alunos e pais se envolviam na organização, cada um contribuindo como podia — fosse na preparação das comidas, na decoração, nos ensaios ou na logística do evento. Aos poucos, o espaço escolar se transformava: bandeirinhas, fogueira, barracas e o colorido das roupas caipiras tomavam conta do ambiente.
Desde as primeiras edições, a festa reunia um grande público. Famílias inteiras participavam, não apenas como visitantes, mas como parte ativa da construção daquele momento. As danças, ensaiadas previamente pelos professores com os alunos, eram aguardadas com expectativa e se tornavam um dos pontos altos da programação.
Entre os símbolos que marcaram essa época, destacavam-se as canecas de quentão. Elas eram vendidas antecipadamente — em quantidades que variavam de 100 a 300 unidades — e acabavam se tornando um souvenir da festa, algo que permanecia mesmo depois que a música parava e as luzes se apagavam.
Mais do que um evento festivo, a Festa do Quentão tinha um papel fundamental na vida da escola. Em um período em que os recursos eram limitados, ela representava uma importante fonte de arrecadação, garantindo investimentos que iam além do que era possível com os repasses estatais. Ao mesmo tempo, fortalecia a identidade cultural da instituição, aproximando escola e comunidade por meio das tradições juninas.
Em 1991, a Festa do Quentão passou a ser promovida em conjunto pelas escolas Santa Cruz e Concórdia. Foram, ao todo, 17 edições realizadas sob esse nome, entre 1982 e 1998. Ao final desse ciclo, a tradição não se encerrou, mas se transformou. A partir de então, as escolas seguiram promovendo o evento, agora sob o nome de Festa Junina.
Mas o que permaneceu foi o essencial: o encontro, a celebração, a participação das famílias e o sentimento de pertencimento. Com o passar do tempo, a festa continuou crescendo e, ainda hoje, reúne mais de 1500 pessoas a cada edição.
Assim, aquilo que começou como uma iniciativa simples, nos anos 80, atravessou décadas — não apenas como um evento no calendário escolar, mas como parte viva da história da escola, preservando memórias e fortalecendo, ano após ano, o seu legado.
Colégio Santa Cruz no final dos anos 70
Colégio Santa Cruz em 1986
Festa do Quentão
Festa do Quentão
CAPÍTULO V
Pastor Ernesto Pahl nos anos 1980.
Festa das Nações 1989
Carros alegóricos - Festa das Nações 1989
Carros alegóricos - Festa das Nações 1989
Apresentações - Festa das Nações
Ainda no início dos anos 80, quando a tradicional Festa do Quentão já fazia parte do calendário escolar, surgiu a inquietação de ir além. O pastor Ernesto Pahl percebia a necessidade de criar uma nova promoção que, ao mesmo tempo, incentivasse a participação dos alunos e das famílias e também contribuísse financeiramente com a escola.
Foi em uma reunião com os professores que a ideia começou a ganhar forma. Entre sugestões e conversas, surgiu a proposta de realizar uma festa que representasse as diferentes culturas presentes na comunidade. Ao que tudo indica, segundo D. Renilda, esposa do pastor Ernesto, a sugestão partiu da professora Sueli Skiavo — embora a lembrança não seja absoluta. Uma coisa é certa: todos concordaram.
Assim, em 1982, acontecia a primeira edição da Festa das Nações. Realizada na Avenida Independência, ainda de forma simples, era organizada a partir de barracas de mantimentos. Era um começo modesto, mas carregado de significado: ali nascia uma celebração que, com o tempo, se tornaria uma das mais marcantes da história da escola.
A partir das edições seguintes, a festa passou a acontecer em diferentes locais como o Centro Social da Igreja Católica, o CTG - Centro de Tradições Gaúchos - e, por fim, no clube CRAC, lugar mais marcante para a história desse evento, no qual foi ganhando novos elementos. Surgiram os jantares típicos e as apresentações de danças, envolvendo diretamente alunos e professores na preparação. Cada detalhe era pensado com cuidado, e a comunidade começava a se reconhecer naquele espaço de celebração cultural.
Nesse novo momento, além das apresentações dos alunos, passaram a ser contratados conjuntos folclóricos, enriquecendo ainda mais a programação e ampliando o alcance cultural da festa.
Desde o início, a proposta era clara: homenagear os povos que fizeram parte da colonização de Capanema. Poloneses, italianos, alemães e brasileiros eram representados por meio da culinária, das músicas, das danças e dos trajes típicos. Nas primeiras edições já se desenhava essa diversidade, com três noites de jantares — polonês, italiano e alemão — e, no domingo, o almoço brasileiro.
Outro momento marcante era o desfile na avenida, com carros alegóricos preparados por professores e alunos. Cada carro trazia elementos das culturas homenageadas, transformando as ruas em um verdadeiro espetáculo de cores, símbolos e histórias. Era a escola ultrapassando seus muros e dialogando diretamente com a cidade.
Ao longo das décadas de 1980 e 1990, a Festa das Nações se consolidou como um dos eventos mais importantes do Colégio Estadual Santa Cruz. Mais do que uma festividade, tornava-se um espaço de encontro, de valorização das origens e de fortalecimento dos laços comunitários. Alunos, professores e famílias se envolviam intensamente, resgatando tradições e mantendo viva a memória dos antepassados.
Cada edição reforçava esse compromisso. Dos trajes cuidadosamente preparados às receitas transmitidas entre gerações, tudo contribuía para transformar a festa em um momento único de aprendizado e pertencimento.
Com o passar dos anos, a festa deixou de acontecer, mas não de existir na memória de quem a viveu. E foi justamente essa memória que, em 2026, motivou sua retomada. Em comemoração aos 65 anos do Colégio Santa Cruz, a Festa das Nações ganhou uma emocionante continuação.
Mais do que reviver uma tradição, o retorno da festa conectou passado e presente. Novas gerações foram possibilitadas de experimentar aquilo que, por tantos anos, marcou a história da escola. E, mais uma vez, a comunidade se reúne — não apenas para celebrar culturas, mas para reafirmar um sentimento que atravessa o tempo: o de pertencimento a uma história construída em conjunto.
CAPÍTULO VI
Ingrid Grams Diretora 1994
Elizabet Wallau Diretora 1995
Jair Canci
Diretor 1996
Luiz Deringer Diretor 1997/2000
Desfile de 7 de setembro
Confraternização - Dezembro de 1998
Confraternização - Dezembro de 1998
O tempo passou, e com ele vieram novas mudanças — daquelas que reorganizam caminhos, mas não apagam a essência.
Em 1991, o município assumiu o ensino das primeiras séries. Nascia, então, a Escola Municipal Concórdia, acolhendo, a época, os alunos de primeira a quarta série. Era uma nova divisão, uma nova forma de organizar o ensino, acompanhando as transformações da educação.
Dois anos depois, em 1993, a escola se despedia de uma de suas figuras mais marcantes. O pastor Ernesto Pahl partia para Marechal Cândido Rondon, encerrando um ciclo de mais de duas décadas à frente da instituição — um período de construção, consolidação e profundas raízes.
A partir dali, novos nomes assumiram a responsabilidade de dar continuidade à história. Em 1994, a direção ficou a cargo de Ingrid Ruth Grams, seguida, em 1995, por Elizabet Wallau, professora da escola desde 1975 e parte viva de sua trajetória. Em 1996, Jair Canci assumiu a direção, e, no ano seguinte, iniciava-se a gestão do Pastor Luiz Carlos Deringer, que permaneceu até o ano 2000.
Enquanto isso, outras mudanças estruturais aconteciam. Em 1996, veio a estadualização das turmas de quinta a oitava série. A partir daquele momento, a instituição passava a se chamar Escola Estadual Santa Cruz. O nome mudava, mas a essência permanecia — sustentada pela história construída ao longo dos anos.
Foi nesse contexto que, entre 1997 e 1998, surgiu uma nova tentativa de ampliar os horizontes da escola: a implementação do ensino médio em caráter particular. A iniciativa foi viabilizada, em parte, pelos recursos obtidos com a venda do terreno onde hoje está localizado o parque de exposições de Capanema. Assim, nasceu, mesmo que por pouco tempo, o Colégio Santa Cruz, com a proposta de oferecer o curso de Educação Geral.
Era um projeto ousado, que representava mais um esforço da comunidade em fazer a escola crescer. No entanto, apesar da expectativa e do investimento, a experiência não se sustentou e acabou sendo encerrada pouco tempo depois. Ainda assim, como tantos outros momentos da história, deixou sua marca — como tentativa, como aprendizado, como expressão do desejo constante de avançar e que, anos mais tarde, concretizaria-se.
Na sequência, a instituição seguiu sua trajetória sob o nome de Escola Estadual Santa Cruz de Ensino Fundamental, reafirmando seu compromisso com a base da formação de tantas gerações.
Até então, já eram milhares de histórias, sonhos e aprendizados entrelaçados em suas salas, corredores e pátios.
Porque uma escola não se mede apenas pelo tempo… mas pelas vidas que ajudou a transformar.
CAPÍTULO VII
Kátia Deringer Diretora 2000/03
Marinez Peccin Diretora 2004/2009
Vilma Magro Diretora 2009/2010
Colégio Santa Cruz no ano 2000
2002 - Apresentação de dança
2001 - Exposição de trabalhos - Produção de maquetes a partir da leitura de livros
A virada do século trouxe mais do que a mudança no calendário. Com a chegada dos anos 2000, a escola se via diante de um novo cenário — marcado por transformações rápidas, novas exigências educacionais e uma geração de alunos que começava a crescer em um mundo cada vez mais conectado.
No início desse século, a direção esteve sob a responsabilidade de Kátia Deringer, entre os anos de 2000 e 2003. Em seguida, Marinez Peccin assumiu a gestão, permanecendo de 2004 a 2009. Na transição para a nova década, entre 2009 e 2010, a direção ficou a cargo de Vilma Magro. Cada uma, à sua maneira, conduziu a escola em um período de adaptação e atualização constante.
As demandas do século XXI começavam a se fazer presentes dentro da sala de aula. Aos poucos, o perfil dos alunos mudava. Se antes o conhecimento vinha, em grande parte, dos livros e da fala do professor, agora ele passava a circular também pelas telas. Computadores, internet e novas tecnologias começavam a fazer parte do cotidiano particular e escolar, formando uma geração de alunos cada vez mais digitais.
Nesse contexto, a escola precisou se reinventar. Não apenas em estrutura, mas principalmente em práticas pedagógicas. Ensinar já não era apenas transmitir conteúdo — era mediar, orientar, acompanhar um aluno que tinha acesso a múltiplas fontes de informação.
Uma das mudanças mais significativas desse período ocorreu em 2006, com a implantação do Ensino Fundamental de nove anos no Brasil. A antiga organização de 5ª a 8ª série deu lugar ao modelo de 6º ao 9º ano. Mais do que uma simples alteração de nomenclatura, essa mudança representava uma nova forma de compreender o percurso escolar, ampliando o tempo de permanência do aluno na educação básica e exigindo adaptações por parte da escola.
Entre ajustes, desafios e aprendizados, a instituição seguiu seu caminho. Os corredores continuavam cheios, as salas de aula vivas, mas o tempo já era outro. Um tempo de transição entre o tradicional e o novo, entre o quadro-negro e a tela, entre o papel e o digital.
E, mais uma vez, a escola mostrou sua capacidade de adaptação. Porque, independentemente da época, seu papel permanecia o mesmo: formar, orientar e acompanhar cada nova geração — agora, inserida em um mundo cada vez mais dinâmico e conectado.
CAPÍTULO VIII
Colégio Santa Cruz em 2020
Elaine Maria Lange Kopper - Diretora 2011/Atual
A partir de 2011, sob a direção de Elaine Lange Kopper, a escola entrou em um período marcado por uma transição silenciosa, porém profunda. Aos poucos, o giz — por tantos anos símbolo do ensino — começava a dividir espaço com o clique.
No início, eram pequenas mudanças. Um projetor aqui, um laboratório de informática ali, o uso mais frequente da internet como apoio às aulas. Mas, com o passar dos anos, essa presença foi se intensificando. Os alunos já não chegavam apenas com cadernos e livros, mas também com uma familiaridade cada vez maior com o mundo digital. Pesquisavam, interagiam, aprendiam de formas diferentes.
A escola, atenta a esse novo perfil, foi se adaptando. O ensino passou a dialogar com essas novas linguagens, incorporando, pouco a pouco, ferramentas que ampliavam as possibilidades dentro e fora da sala de aula.
Era uma mudança gradual, construída dia após dia. Até que, em 2020, o mundo inteiro foi impactado por algo inesperado - A Pandemia de covid-19.
Em 20 de março, as aulas presenciais na rede estadual do Paraná foram suspensas em razão da pandemia de COVID-19. De um dia para o outro, o giz saiu de cena. O clique deixou de ser complemento e se tornou essencial.
Plataformas como Inglês Paraná, Redação Paraná, Leia Paraná, Matific, Khan Academy e Quizizz passaram a fazer parte da rotina, oferecendo novos caminhos para o aprendizado — mais interativos, mais dinâmicos, mais conectados com o tempo presente, mas também mais desafiadores para professor e aluno.
As salas de aula deram lugar às telas. Professores e alunos passaram a se encontrar em ambientes virtuais, e aquilo que vinha sendo construído ao longo dos anos precisou ser acelerado. A tecnologia, antes apoio, tornou-se ponte — o único caminho possível para manter o processo de ensino e aprendizagem.
Foi um período de reinvenção. O ensino aconteceu de outras formas, em outros ritmos, mas não deixou de acontecer. E, nesse movimento, a escola reafirmou sua capacidade de adaptação.
Em 2021, veio o reencontro. O retorno às aulas presenciais ocorreu de forma gradual e híbrida, a partir da metade do ano. Parte dos alunos em sala, parte ainda conectada de casa. O 'giz' voltou ao quadro, mas já não estava sozinho.
Os alunos retornaram diferentes. Mais autônomos em alguns aspectos, mais familiarizados com as ferramentas digitais, carregando consigo as marcas de um tempo vivido à distância. A escola, por sua vez, também não era mais a mesma. Trazia consigo novas práticas, novos aprendizados, novas possibilidades.
Entre 2011 e 2023, consolidou-se, então, uma travessia: do giz ao clique. Nunca encarado como substituição, mas como soma. O tradicional e o novo passaram a coexistir, mostrando que ensinar e aprender é, acima de tudo, acompanhar o tempo — sem perder a essência.
Porque, no fim, seja no quadro ou na tela, o que permanece é o encontro entre quem ensina e quem aprende.
CAPÍTULO IX
2024
O ano de 2024 marcou mais um ponto de virada na história da escola. Mais do que uma mudança de organização, foi uma mudança de perspectiva. O Colégio Santa Cruz passou a adotar o ensino integral — e, com ele, um novo jeito de viver a escola.
Os dias ficaram mais longos. Se antes eram cinco aulas, agora eram nove. O tempo, que antes era contado em períodos, passou a ser vivido em experiências. Os alunos passaram a permanecer na escola durante todo o dia, almoçando juntos, compartilhando não apenas o aprendizado, mas também a convivência.
E, nesse cotidiano ampliado, pequenos gestos passaram a ter grande significado. Lavar a própria louça, por exemplo, deixou de ser apenas uma tarefa e se tornou parte da formação. Ali, no simples ato de cuidar do que se usa, passou-se a desenvolver responsabilidade, autonomia, organização e senso de coletividade. Aprendia-se agora, ainda com mais ênfase, que o espaço é de todos — e que cada um tem seu papel dentro dele.
Mas as mudanças não pararam por aí.
Com o ensino integral, vieram também novas possibilidades de aprendizagem. As chamadas disciplinas eletivas trouxeram de volta algo que, de certa forma, já fazia parte da história da escola. Assim como nos anos 70, quando havia aulas de marcenaria, agricultura, culinária e costura, os alunos voltaram a ter contato com práticas mais concretas, mais próximas da vida.
Jardinagem, culinária, atividades culturais, projetos diversos — tudo isso passou a compor o currículo. Não mais como algo à parte, mas como parte essencial da formação.
O aluno, então, deixa de ser desafiado apenas no aspecto intelectual. No ensino integral, ele é convidado a se desenvolver por inteiro: no campo cultural, ao entrar em contato com diferentes formas de expressão; no físico, ao movimentar o corpo e cuidar de si; no social, ao conviver e colaborar; e no emocional, ao aprender a lidar com suas próprias experiências e sentimentos.
A escola, nesse contexto, amplia seu papel. Já não é apenas um espaço de transmissão de conhecimento, mas um ambiente de formação integral — onde educar significa olhar para o aluno em sua totalidade.
E, como em outros momentos da história, esse novo tempo também trouxe consigo uma nova marca.
Surge, então, a Feira da Integração.
Mais do que um evento, ela se consolida como a culminância de todo esse processo vivido ao longo do semestre. É o momento em que os alunos apresentam à comunidade escolar os projetos, produtos e aprendizados construídos. Um espaço onde o conhecimento ganha forma, voz e presença.
A Feira da Integração é, ao mesmo tempo, celebração e encontro. Um evento multicultural que reúne estudantes, professores e famílias em um ambiente acolhedor e festivo. Ali, há apresentações culturais, exposições artísticas, oficinas e diferentes atividades que mostram, na prática, tudo aquilo que foi desenvolvido.
É, sobretudo, a expressão do protagonismo estudantil. O aluno deixa de ser apenas receptor e se torna autor, apresentando, explicando, compartilhando.
De certa forma, a escola reencontra, nesse momento, algo que sempre fez parte de sua identidade: a capacidade de criar eventos que vão além do pedagógico e se tornam parte da memória coletiva. Assim como a Festa das Nações marcou gerações, a Feira da Integração nasce como um novo símbolo — um espaço onde aprender e celebrar caminham juntos.
O ensino integral, portanto, não é apenas uma ampliação de tempo. É uma ampliação de sentido.
Porque, no fim, educar não é apenas ensinar conteúdos. É formar pessoas capazes de viver, conviver, criar e transformar.
E, mais uma vez, a escola segue fazendo aquilo que sempre fez — adaptando-se ao tempo, sem perder sua essência, e construindo, dia após dia, um legado que continua.
CAPÍTULO X
Colégio Santa Cruz em 2025
O ano de 2025 entrou para a história da escola como um tempo de conquista — daquelas que não acontecem de repente, mas que são construídas ao longo de muitos anos, com insistência, diálogo e esperança.
Depois de diversas viagens da direção a Curitiba, reuniões com o Secretário de Educação e o apoio de deputados da região, veio a autorização tão aguardada: a implantação do Ensino Médio Integral, com carga horária de 35 horas semanais, a partir de 2026.
Com isso, a escola dava um novo passo — e voltava a ser colégio, agora Colégio Estadual Santa Cruz.
Mais do que uma mudança de nome, era a concretização de um sonho antigo. Um sonho que, de certa forma, já havia sido ensaiado no passado, quando, em 1997 e 1998, houve a implantação do ensino médio particular. Naquele momento, não foi possível seguir adiante. Mas os sonhos, quando são verdadeiros, não desaparecem — apenas aguardam o tempo certo.
E ele chegou.
A notícia percorreu corredores, salas e casas. Tocou alunos, professores, famílias. Em muitos, despertou emoção. Porque não se tratava apenas da abertura de uma nova etapa de ensino — era a possibilidade de continuidade.
Por muitos anos, concluir o 9º ano significava, também, despedir-se. Romper com um espaço já conhecido, com vínculos construídos, com uma cultura que fazia parte da formação de cada aluno. Agora, não mais.
O Ensino Médio Integral passa a permitir que o estudante permaneça. Que continue seu percurso no mesmo lugar onde aprendeu, cresceu e se reconheceu. E isso tem um valor que vai além do acadêmico.
Permanecer é aprofundar laços. É fortalecer relações. É dar sequência a um projeto educativo que já é conhecido, vivido e compartilhado. É seguir dentro de uma cultura de excelência que a escola construiu ao longo do tempo — e que agora pode acompanhar o aluno por ainda mais anos.
O ensino médio integral, nesse contexto, amplia possibilidades. Há espaço para desenvolver projetos, aprofundar conhecimentos, preparar-se para os desafios futuros — sejam eles acadêmicos, profissionais ou pessoais.
Mas, acima de tudo, permanece em um ambiente que o conhece.
E isso faz diferença.
Porque educar não é apenas ensinar etapas isoladas. É acompanhar trajetórias. É caminhar junto.
Ao conquistar o Ensino Médio Integral, o Colégio Santa Cruz reafirma, mais uma vez, seu compromisso com a formação completa de seus alunos — agora, com a possibilidade de estar presente em mais um momento decisivo de suas vidas.
Um sonho que começou lá atrás, que encontrou obstáculos, que foi retomado — e que, enfim, se concretiza.
E, como tantos outros capítulos dessa história, não é apenas sobre o que foi alcançado.
É sobre tudo aquilo que, a partir de agora, ainda será construído.
EM CONSTRUÇÃO...